CoastNet 2030 faz balanço em reunião de progresso

A equipa do CoastNet 2030 reuniu, no passado dia 30 de junho, para fazer o balanço anual do projeto.

O CoastNet 2030 apoia-se na infraestrutura CoastNet, uma rede nacional de monitorização costeira que integra observações por satélite, boias equipadas com sensores para medição de variáveis ambientais in situ e biotelemetria acústica, permitindo acompanhar continuamente o estado dos ecossistemas costeiros portugueses.  Financiado pelo Programa Operacional MAR 2030, o projeto é coordenado pela investigadora do MARE, Ana Brito, e reúne o MARE, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e a Universidade de Évora.

Ao longo do último ano, a equipa manteve e reforçou os equipamentos instalados nos estuários do Mondego, do Tejo e do Mira e prepara, para este verão, a expansão geográfica da infraestrutura, com uma nova estação de monitorização no estuário do Sado e um novo ponto de monitorização na Lagoa de Santo André.

O projeto está também a monitorizar os estuários utilizando hidrofones (microfones subaquáticos) colocados no Tejo, no Mondego, no Mira e no Sado e que têm permitido avaliar o ruído humano e identificar espécies como golfinhos e corvinas pelos sons que produzem, tendo já captado, no Sado, o coro reprodutivo da corvina.

No decorrer do último ano, foram realizadas trinta campanhas de amostragem no Tejo e no Sado cruzando medições feitas no terreno com imagens de satélite, com o objetivo de desenvolver formas de avaliar a qualidade da água a partir do espaço. Foram incluídas nesta abordagem outras áreas marinhas protegidas portuguesas, nomeadamente o Canhão da Nazaré e o banco submarino da Madeira Tore.

Noutra linha de investigação, a equipa tem desenvolvido novos indicadores para avaliar o estado ambiental dos estuários, destacando-se o trabalho de Inês Pires, que analisou as comunidades bentónicas do estuário do Tejo ao longo de vinte anos, revelando uma melhoria geral da sua qualidade ecológica. Toda a informação recolhida está disponível ao público através de um geoportal de acesso livre, atualmente em fase de modernização.

O projeto tem sido ativamente divulgado entre a comunidade científica, tendo dado origem a quatro publicações científicas e três apresentações em congressos internacionais, mas também junto da sociedade utilizando as redes sociais e a presença em iniciativas de divulgação.

Nos próximos meses, o CoastNet 2030 continuará a reforçar o conhecimento sobre os ecossistemas costeiros portugueses, essencial para a sua proteção e gestão sustentável.

 

Texto: Vera Sequeira e Susana França

Fotografias: Vera Sequeira e Bernardo Quintella