Sesimbra recebeu, nos dias 21 e 22 de maio, o Encontro Bienal de Oceanografia organizado pela Associação Portuguesa de Oceanografia (APOCEAN), numa edição que o MARE não vai esquecer: a investigadora Maria Cadima, aluna do doutoramento do MARE na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), foi distinguida com o Prémio Estudante APOCEAN e a investigadora do MARE | ARNET e professora na FCUL, Fátima Sousa, foi homenageada como cofundadora da associação.
O encontro reuniu 74 participantes, entre 47 investigadores e 21 estudantes, num programa intenso de partilha científica e debate interdisciplinar. Ao longo de dois dias, vários membros do MARE contribuíram com os seus trabalhos para uma discussão coletiva desde a oceanografia física e biológica até à paleoclimatologia e à oceanografia operacional.
A maior distinção do encontro foi para Maria Cadima, cujo trabalho investiga os mecanismos por detrás do recente aumento de salinidade no Atlântico Tropical Ocidental e o papel potencial da circulação à larga escala associada à corrente que regula o clima europeu, a Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC). Recorrendo a uma análise tridimensional de Funções Ortogonais Empíricas aplicada a 30 anos de dados, o estudo demonstrou a importância de processos de advecção subsuperficiais associados à Contracorrente Norte do Brasil na variabilidade decenal da salinidade na região.
Fátima Sousa foi homenageada pelo seu percurso científico e contributo determinante para a oceanografia em Portugal. O trabalho mais recente da investigadora centra-se nas alterações termohalinas na massa de Água Central do Atlântico Norte Oriental (ENACW), no Atlântico Nordeste, e nas suas implicações para mudanças de maior escala na circulação do Atlântico Norte, um tema de crescente relevância no contexto das alterações climáticas.
Catarina V. Guerreiro, investigadora do MARE | ARNET, apresentou dois estudos sobre as interações atmosfera-oceano e o papel do plâncton nos ciclos biogeoquímicos marinhos. Os resultados abordam o impacto da deposição de poeira atmosférica na produtividade oceânica e nas comunidades de cocolitóforos, com dados recolhidos ao longo do Oceano Atlântico no âmbito da expedição AMT28.
A recente doutorada do MARE, Beatriz Biguino, partilhou a sua investigação na qual recorreu à suite de modelação Delft3D para estudar como as alterações climáticas poderão afetar a temperatura e salinidade no estuário do Sado, combinando simulações históricas com projeções futuras para diferentes cenários climáticos.
O encontro encerrou com a promessa de regressar no primeiro semestre de 2028, dando à oceanografia e a quem ao seu leme se debruça, o destaque merecido.
Texto por: Patrícia Chaves
Fotografias: APOCEAN