MARE subscreve Manifesto de Milfontes pelo Futuro das Florestas Marinhas em Portugal

O MARE subscreveu o Manifesto de Vila Nova de Milfontes pelo Futuro das Florestas Marinhas de Portugal, fazendo parte de um grupo de mais de 80 signatários que apelam à proteção urgente dos ecossistemas marinhos portugueses. O documento foi assinado por cientistas, organizações da sociedade civil, empresas ligadas ao mar e cidadãos, reunidos em torno de um objetivo comum: garantir o futuro das florestas marinhas como património natural de elevado valor ecológico, climático, económico e cultural.

O manifesto é dirigido às entidades públicas responsáveis pelo Ambiente, Ciência, Inovação, Economia e Mar e pede a integração de uma Estratégia Nacional para a Biodiversidade Marinha com objetivos até 2040. Os signatários alertam para a urgência de estabelecer a conservação destes ecossistemas como prioridade nacional, sublinhando que uma estratégia de prevenção será sempre mais eficaz do que a recuperação após o colapso, que pode tornar-se irreversível à escala humana.

Florestas Marinhas: Valor e Ameaças
As florestas marinhas incluem florestas de macroalgas, pradarias de plantas marinhas, jardins de corais e esponjas e outros habitats biogénicos. Estes ecossistemas são essenciais para a manutenção da biodiversidade marinha, proteção costeira e regulação do clima, representando a primeira linha de defesa contra os desafios contemporâneos associados às alterações climáticas e aos eventos climáticos extremos. São também cruciais para a produtividade biológica, pesqueira e para o equilíbrio ecológico.

Atualmente, estes ecossistemas encontram-se bastante ameaçados pela artificialização dos ecossistemas terrestres, com a erosão, a degradação dos solos e a destruição da vegetação natural. Para além disso, sofrem com a pressão de espécies invasoras e com a sobrepesca, que alteram as redes tróficas marinhas, criando desequilíbrios nos níveis inferiores da rede, culminando no consumo das florestas remanescentes.

Prevenção, Monitorização e Restauro
Entre as principais propostas do manifesto, destaca-se a criação de uma Estratégia Nacional para a Biodiversidade Marinha e a promoção de restauro ecológico assente em princípios científicos amplamente reconhecidos, focados na sustentabilidade, resiliência e durabilidade. A monitorização e o mapeamento das áreas de floresta marinha e das ações interventivas são igualmente apontados como objetivos prioritários.

O manifesto reforça ainda a importância da criação, expansão e revisão das áreas marinhas protegidas nacionais, com níveis de proteção total e elevada, como resposta adequada à urgência de conservação destes ecossistemas. É também pedida a valorização sustentável dos operadores económicos, promovendo modelos de bioeconomia azul responsável, compatíveis com a conservação e recuperação dos ecossistemas marinhos. A literacia oceânica não é esquecida, com uma aposta na educação, na participação pública e no envolvimento das comunidades que vivem e convivem diariamente com o mar.

O contexto português
Portugal tem um papel central na conservação do oceano Atlântico, beneficiando diretamente de uma das maiores zonas económicas exclusivas da Europa, com mais de 2500 km de costa. O continente e as ilhas representam 48% das águas marinhas sob a jurisdição da União Europeia, o que confere ao país uma responsabilidade acrescida na proteção destes ecossistemas.

O país é ainda pioneiro na monitorização, conservação e restauro marinho, com equipas científicas de excelência empenhadas em garantir o conhecimento necessário para uma estratégia nacional orientada para o futuro destes ecossistemas.

MARE posiciona-se pelo Futuro das Florestas Marinhas em Portugal
Ao subscrever o manifesto, o MARE reafirma o seu compromisso com o desenvolvimento tecnológico e a inovação para fazer face aos desafios dos ecossistemas marinhos e aquáticos. As oito Unidades Regionais de Investigação que compõem o MARE reforçam ainda a sua disponibilidade para participar e apoiar a criação e implementação das medidas apontadas no documento.

O manifesto pode ser consultado aqui.

 

Texto por: Patrícia Chaves