Mapeamento de alta resolução revela padrões sedimentares no fundo do mar que influenciam a biodiversidade

Um novo estudo com participação do MARE, "Occurrence and morphometric analysis of sorted bedforms on the Alentejo continental shelf, Southwestern Portugal", foi publicado no International Journal of Earth Sciences."

Investigadores João Noiva (IPMA), Pedro Brito (IPMA), Marcos Rosa (IPMA), Carlos Ribeiro (IPMA, MARE|ARNET) e Pedro Terrinha (Instituto Dom Luiz) mostraram que o mapeamento de alta resolução pode revelar padrões e histórias sedimentares do fundo marinho, com impactos determinantes para a diversidade biológica.

A equipa de investigadores utilizou uma combinação de métodos mais tradicionais e avançados para mapear os depósitos sedimentares ao longo da plataforma continental portuguesa. Utilizou amostragem de sedimentos com uma grelha irregular, mas foi no levantamento de dados acústicos, com um sistema de ecossondas multifeixes, que se obtiveram imagens detalhadas do fundo do mar, entre os 5 e os 250 metros de profundidade. A amostragem foi ainda complementada por um sistema sísmico de alta resolução, revelando camadas de sedimentos acumuladas ao longo do tempo até 150 metros de profundidade.

A utilização de dados acústicos revela uma caracterização surpreendente e com elevada resolução das fácies sedimentares. A assinatura de retrodifusão acústica (backscatter) discrimina eficazmente litologias de elevada refletividade (cascalhos/areias grosseiras) de depósitos de baixa refletividade (areias finas/siltes) (fig. à direita). Estes padrões refletem a segregação granulométrica controlada pela transgressão marinha no Holocénico, evidenciando a evolução paleogeográfica e a dinâmica deposicional ativa desde 8500 anos AP (Antes do Presente).

A plataforma continental portuguesa é definida morfologicamente entre a linha de costa e a rutura de declive, situada entre 120 e 200 metros de profundidade. A distribuição dos sedimentos detríticos (predominantemente areias e cascalhos), fornece informação sobre a localização preferencial de ecossistemas marinhos, a capacidade de carga do substrato para a instalação de infraestruturas eólicas offshore, o regime hidrodinâmico atual, os balanços de erosão/acreção sedimentar e a evolução do nível do mar no Quaternário.

Este estudo resulta de um esforço conjunto entre IPMA, Universidade de Évora, Instituto Dom Luiz e MARE|ARNET, financiado pelo projeto MINEPLAT - Determinação do potencial em recursos minerais na plataforma continental do Alentejo e as condicionantes naturais impostas pelo soerguimento da margem continental no Plio-Quaternário (ALT20-03-0145-FEDER-000013) cofinanciado pelo Alentejo 2020 / Portugal 2020.

 

Texto: Patrícia Chaves