Estudo revela ligação entre declínio local de espécies e maior risco de extinção

Um novo estudo internacional com a participação de Maria Dornelas, investigadora do MARE/ARNET e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, demonstra que um maior risco de extinção está associado a uma maior fragilização local das espécies. O estudo é liderado pela School of Biology, da Universidade de St Andrews (Escócia) e acaba de ser publicado na Nature Communications,

 

O estudo analisou uma das bases de dados ecológicas de longo prazo mais abrangentes do mundo, a BioTIME, desenvolvida na universidade de St. Andrews e amplamente utilizada para estudar alterações na biodiversidade. Analisou mais de 60 000 populações de 2362 espécies, distribuídas por 978 comunidades marinhas e terrestres, todas monitorizadas de forma consistente durante pelo menos 20 anos.

A análise de comunidades permite quantificar de forma sistemática as mudanças ao longo do tempo e identificar quais as espécies que estão a prosperar ou a declinar, contribuindo para compreender os “vencedores e perdedores” num contexto de alterações globais aceleradas.

Os investigadores cruzaram as tendências temporais de prevalência de cada população com o respetivo estatuto de risco de extinção da Lista Vermelha da IUCN. Apesar de relações complexas entre os dois fatores, emergiu um padrão claro: tendências decrescentes estão associadas a maior risco de extinção. No conjunto analisado, menos de 10% das populações apresentaram tendências claramente crescentes ou decrescentes.

Segundo Maria Dornelas, Dado que a tarefa de avaliar as alterações na biodiversidade é enorme e não é possível recolher dados retrospetivos para o passado, procuramos maximizar o uso de toda a informação disponível. Estas duas grandes bases de dados de biodiversidade apresentam apenas uma sobreposição limitada, e este estudo demonstra como podem ser usadas em conjunto para aprofundar o conhecimento sobre as mudanças na biodiversidade.”

Esta é a primeira vez que se avalia se existe um sinal consistente entre as tendências temporais das populações e o risco de extinção das espécies, usando dados de monitorização das comunidades em vez de avaliações específicas por espécie. Os resultados mostram uma associação clara: quando uma espécie está cada vez menos presente nas comunidades monitorizadas ano após ano, o seu risco de extinção tende a aumentar.

 

 

Texto: Vera Sequeira e Zara Teixeira