Novo livro reúne três décadas de investigação sobre tartarugas marinhas na África Ocidental

Foi apresentado, no passado dia 29 de abril, em Nouakchott (Mauritânia), o livro "Tartarugas Marinhas da África Ocidental: Ecologia e Conservação". Esta obra, reúne, pela primeira vez, o conhecimento científico sobre as cinco espécies de tartarugas marinhas que habitam regularmente a África Ocidental, considerada um hotspot global para a sua conservação.

O livro nasceu de uma ideia original do investigador Paulo Catry, da Unidade Regional de Investigação do MARE/ARNET no ISPA, que assumiu a coordenação e redação principal. A edição ficou a cargo da Parceria Regional para a Conservação da Zona Costeira e Marinha da África Ocidental (PRCM) que disponibiliza a obra gratuitamente, em versão PDF, em três línguas: português, francês e inglês. A iniciativa mobilizou mais de 40 especialistas, ao longo de dois anos, provenientes dos sete países que compõem a parceria: Mauritânia, Cabo Verde, Senegal, Gâmbia, Guiné-Bissau, Guiné-Conacri e Serra Leoa.

O conteúdo reunido ajuda a clarificar o estado de conservação das espécies na região e as principais ameaças. Das cinco espécies (tartaruga-comum Caretta caretta, tartaruga-verde Chelonia mydas, tartaruga-oliva Lepidochelys olivacea, tartaruga-de-pente Eretmochelys imbricata e tartaruga-de-couro Dermochelys coriacea), a maioria apresenta um estatuto de conservação "vulnerável", sendo que a tartaruga-de-pente se encontra criticamente em perigo. A captura ilegal, a captura acidental (bycatch), a poluição marinha, a urbanização costeira e o aumento do turismo figuram entre as principais ameaças na região.

Para Paulo Catry, a redução da captura acidental é o maior desafio imediato. Embora a criação e gestão de Áreas Marinhas Protegidas tenha produzido resultados encorajadores, o investigador considera “necessários mecanismos mais direcionados para combater o bycatch.” A longo prazo, acrescenta, “serão necessárias estratégias para combater o impacto das alterações climáticas, com a criação de zonas alternativas de refúgio e desova para as praias que ficarão submersas.”  

“Na África Ocidental existe um contexto favorável ao planeamento e cooperação regional para a proteção destas espécies”, esclarece o investigador, “resultado da contribuição de financiadores através do PRCM”. Paulo Catry esclarece ainda que “a partir de 2017, a Fundação MAVA decidiu começar a investir mais na conservação das tartarugas marinhas na Guiné-Bissau e em Cabo Verde, dois países de grande importância para a nidificação. Esses esforços estenderam-se e criou-se um verdadeiro projeto regional, que atualmente é sustentado pelo PRCM com financiamento da Fundação Hans Wilsdorf.”

O livro sintetiza conhecimento atualizado sobre a biologia reprodutora, as migrações, o estatuto, a distribuição geográfica, as ameaças e a conservação destas espécies, apoiando-se em décadas de investigação conduzida na África Ocidental. Adicionalmente, inclui um historial dos esforços científicos e de monitorização desenvolvidos na região, contemplando projetos dos diferentes países que, em alguns casos, se prolongam há mais de três décadas.

 

O PRCM é uma coligação de organizações comprometidas com a conservação marinha e costeira na África Ocidental, que opera nos sete países referidos. A organização adota um modelo de governação participativo e transparente, reunindo instituições científicas, governos e organizações da sociedade civil. Para mais informações consulte www.prcmarine.org.

 

 

 

Texto: Patrícia Chaves