A investigadora Catarina Frazão Santos, do MARE/ARNET, representou Portugal pela segunda vez nas Reuniões Consultivas do Tratado da Antártida, que reuniram mais de 400 delegados de 58 países em Hiroshima (Japão), entre 11 e 21 de maio de 2026.
No centro da participação da Delegação de Portugal esteve a apresentação do documento IP-146 “Towards a climate-smart pathway for ocean management in Antarctica”, elaborado em colaboração com o Canadá e a França no âmbito do projeto PLAnT - “Planning for sustainable ocean use in Antarctica under global change”. O documento mostra como ferramentas de mapeamento participativo podem orientar uma gestão do espaço marinho mais adaptativa e resiliente face às alterações climáticas, com base em estudos publicados nas revistas Science (2024) e Nature Reviews Biodiversity (2026).
A 14 de maio, na 28.ª Reunião do Comité de Proteção Ambiental, Catarina Frazão Santos defendeu que estas ferramentas podem complementar mecanismos já existentes, como as Áreas de Proteção Especial (ASPAs) e as Áreas Marinhas Protegidas (AMPs), e encorajou os estados-membros a integrá-las nas suas estratégias de gestão. Portugal anunciou ainda um simpósio dedicado ao tema na SCAR Open Science Conference 2026, em Oslo, em agosto, com coordenação da investigadora.
"Uma coisa é produzir conhecimento científico sobre um tema; outra, muito diferente, é observar como esse conhecimento pode ser traduzido num contexto político, quais as oportunidades existentes e os desafios que enfrenta. É um verdadeiro reality check", refere a investigadora.
Em 2024 e 2025, o PLAnT já tinha contribuído para as sessões consultivas, com os resultados de dois documentos: o IP 167 “Marine spatial planning for a sustainable and climate-resilient Antarctic Ocean (ATCMXLVI)” e o IP 64 “Towards climate-smart marine spatial planning in the Antarctic Ocean (ATCMXLVII)”. “Esta participação permite também reforçar a ligação entre ciência e política internacional e garantir que o projecto PLANT continua a gerar informação científica relevante para os processos de tomada de decisão na Antártida” sublinha Catarina Frazão Santos.
Sobre o Tratado da Antártida
O Tratado da Antártida foi assinado em Washington, dia 1 de dezembro de 1959, pelos 12 representantes de países ativos na região à data. Hoje, 58 Estados-membros assumem o compromisso de investigação livre e cooperativa no continente, garantem a realização de atividades pacíficas, a proteção ambiental da Antártida e dos seus ecossistemas, assim como uma gestão em comunicação e co-planeamento do território.
Sobre o PLAnt
O projeto PLAnT – “Planning for sustainable ocean use in Antarctica under global change” é financiado pelo Conselho Europeu de Investigação (ERC), teve início em 2024 e tem a duração de quatro anos. Com a liderança da investigadora Catarina Frazão Santos, o PLAnT tem dado largos passos na aplicação de mapeamento participativo para um ordenamento do espaço marinho que seja capaz de se adaptar e responder às alterações climáticas, permitindo uma gestão inteligente e holística que possa ser futuramente aplicada a outras regiões do globo.