O Laboratório Associado ARNET lança o ARNET DataHub, uma plataforma digital colaborativa que vai centralizar, integrar e disponibilizar os dados científicos produzidos pelos investigadores da rede. Em fase de implementação, a plataforma representa um passo estruturante para a ciência aberta e gestão sustentável dos sistemas aquáticos.
Desde 2023, o grupo de trabalho para a plataforma de integração de dados ARNET trabalha na conceptualização e desenvolvimento do ARNET DataHub, uma infraestrutura digital pensada para responder a um desafio crescente na investigação científica: tornar os dados acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis.
A plataforma vai reunir dados climatológicos, ecológicos e ambientais, produzidos pelas instituições que integram o Laboratório Associado ARNET (MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, CIMA – Centro de Investigação Marinha e Ambiental, CBMA – Centro de Biologia Molecular e Ambiental) num único ambiente digital acessível. Vem servir investigadores, gestores ambientais, autoridades públicas e entidades privadas que necessitem de informação científica fiável para apoiar decisões e operações. Na sua fase inicial, permitirá a visualização e descarregamento de informação já publicada. Numa segunda fase, está prevista a incorporação de dados publicados noutras plataformas não interoperáveis e/ou não publicados e recursos de apoio à ciência aberta, formação e cocriação com a comunidade utilizadora.
"O ARNET DataHub visa responder às necessidades de gestão de dados de investigação do universo ARNET, sendo o sítio de referência para publicação de dados ARNET e, quando estiver completo, pretende compilar informação para apoiar os investigadores na gestão dos seus dados científicos ao longo de todo o ciclo de vida dos mesmos, tornando assim mais fácil e transparente todo o processo", explica Joana Boavida-Portugal, investigadora do MARE que coordena a implementação da plataforma.
O desenvolvimento do DataHub segue os princípios FAIR, garantindo que os dados são Findable, Accessible, Interoperable e Reusable. Esta abordagem não é apenas uma boa prática científica. É também uma base para uma governação ambiental mais robusta, contribuindo para o aumento da visibilidade e impacto da investigação sobre os ecossistemas aquáticos, para a monitorização e gestão ambiental e para a tomada de decisão, por parte de entidades públicas e privadas, baseada em evidência científica.
O trabalho desenvolvido ao longo dos últimos três anos incluiu reuniões técnicas internas, workshops temáticos sobre interoperabilidade e gestão de dados, sessões colaborativas para definição de requisitos funcionais e testes preliminares com utilizadores-piloto.
Quando questionada sobre o maior desafio que o grupo de trabalho enfrentou, Joana não hesitou: “foi a falta de verbas, porque é um esforço muito grande criar uma estrutura destas de raiz, e a falta de disponibilidade de dados já publicados em plataformas interoperáveis e/ou de conseguir chegar aos investigadores e aos seus dados, publicados ou por publicar", refere.
A visão a longo prazo é clara para a investigadora: "Ser o sítio de referência para a publicação de dados ARNET, ligado, através da interoperabilidade, às plataformas de referência internacionais, como a EMODnet."
A primeira fase de desenvolvimento da plataforma e de testes operacionais está concluída e será oficialmente apresentada no 2.º Encontro ARNET a realizar em Faro nos dias 6 e 7 de julho.
O desenvolvimento do ARNET DataHub contou com a participação de Joana Boavida-Portugal, João M. Neto, João Monteiro, Filipe Alves, Cristina Cotrim Marques, Paula Chainho, Carlos David Santos, Gonçalo Silva e Susana França, do MARE; Flávio Martins, do CIMA; e Pedro Santos e Ricardo Duarte, do CBMA.
O ARNET DataHub é financiado pela FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia, através de fundos nacionais e pela União Europeia no âmbito do NextGenerationEU.
Texto: Vera Sequeira
Imagem: ARNET Datahub