Paula Chainho nos 90 segundos de ciência

Paula Chainho, professora de CIÊNCIAS e investigadora do MARE, participou no episódio 1984 do programa radiofónico "90 segundos de ciência" na Antena 1, emitido dia 3 de abril. O 90 Segundos de Ciência é um projeto do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier ITQB NOVA, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – FCSH NOVA, ambos da Universidade Nova de Lisboa, e Antena 1, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) 

A introdução de espécies exóticas em ecossistemas portugueses está a tornar-se um problema ambiental significativo. Em Portugal, a taxa de novas introduções de espécies marinhas e estuarinas é atualmente de cerca de duas novas espécies por ano, um número que evidencia a urgência de monitorizar e compreender estes processos.

Paula Chainho alerta para a dimensão do problema: "A questão das espécies invasoras ou das invasões biológicas é um problema cada vez mais premente no sentido em que as taxas de novas introduções são cada vez maiores".

Um dos exemplos referidos neste episódio é o do caranguejo-azul (Callinectes sapidus), que foi identificado no estuário do Tejo nos anos 70 e tem vindo a expandir-se, sendo agora encontrado também no Algarve e no estuário do Mira. "Este caranguejo está a causar enormes impactos, por exemplo, em Itália, nas aquaculturas, porque simplesmente alimenta-se das amêijoas produzidas em aquacultura. Cá ainda não temos impactos visíveis, mas provavelmente eles irão chegar", explica a investigadora.

Outro caso relevante é o da corvinata-real (Cynoscion regalis), uma espécie originária da América que se tem dispersado do Algarve para norte, "Já temos uma população completamente instalada no estuário do Tejo e claramente é um competidor voraz em relação a outras espécies, porque se alimenta de zooplâncton, mas depois de peixes como sargos, como anchovas, como biqueirão, competindo por isso com as espécies nativas", acrescenta a Paula Chainho.

A crescente presença de espécies invasoras nos ecossistemas marinhos e estuarinos portugueses sublinha a necessidade urgente de investigação e gestão eficazes. O trabalho dos cientistas é essencial para proteger a biodiversidade e os recursos naturais do país.

 

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Texto de Vera Sequeira